sexta-feira, 15 de maio de 2009

Respostas

Se tem uma coisa que eu gosto de fazer pra passar o tempo é reler e-mails antigos. Hoje eu o fiz, e por um acaso, deparei-me com um e-mail que enviei à escritora Thereza Hilcar.

" Enviada: segunda-feira, 25 de junho de 2007 10:48:12
Para: vanesset_

Oi Vanessa, é um prazer ajudá-la - se é que posso fazê-lo. Pena você não ter gostado das duas crônicas em questão "Igual a todos" e "Saudades de Paris". Gosto muito de ambas. A prmeira, inclusive, foi elogiadíssima pelos meus leitores que, como eu, adoram o Chico Buaque. E a segunda, minha cara, quando você conhecer Paris (e espero que você conheça mesmo!) vai entender o que eu disse. Mas o que se deve compreender em relação à crônica é que ela, além de literatura, é um modo de fazer ficção muito prazeiroso porque fala de sentimentos, emoções e do dia a dia de todos nós. A identificação da crônica com o leitor é quase imediata. Claro que tudo isto tem a ver com o universo de cada leitor. Como você mesma disse, as duas crônicas em questão (e talvez você vá encontrar outras da mesma forma) talvez não tenham agradado você porque não fazem parte, ainda, do seu estilo de vida. Aos 16 anos suas preocupações são bem diferentes do que as de uma mulher de 50, como eu. Então é natural que você não se identifque com alguns temas abordados. A crônica, ao meu ver, tem o mérito de iniciar as pessoas no prazer da leitura. Por ser um texto curto, objetivo, ela atrai leitores. Não sei se você sabe mas os mineiros são famosos por escrever crônicas. Em todos os jornais de Minas existem dois ou três cronistas diários. Pena que Mato Grosso do Sul não tem esta tradição. Agora que estou morando em Brasília não estou mais escrevendo. É uma pena. Mas não vou aqui "traduzir" o conteúdos dos meus textos pra você, minha querida. Isto é algo que você tem que fazer sozinha. E sabe por quê? Porque depende de você achar os seus elementos. Cada um vai sentir de uma forma. E é muito importante que você descubra a sua. È igual uma obra de arte: cada pessoa vai sentir, e pensar, algo diferente, único. Não existe uma bula, um modo de usar para a crônica. Ela emociona, toca você, ou não. É simples assim. Aliás, o maior mérito da crônica é exatamente sua simplicidade. Espero que tenha ajudado você de alguma forma. Continue lendo. E boa sorte!Abraço, Thereza Hilcar."


Em partes, ela tem razão. Ainda não visitei Paris para entender melhor o poemo homônimo, mas acho que nem preciso. Também não tenho 50 anos para entender as angústias em que ela vive. Tenho 18, mas as escolhas que faço todos os dias me fazem chegar bem perto de entendê-la. Tudo bem que só dois anos se passaram, mas vendo isso, é notável o quanto uma pessoa pode mudar em tão pouco tempo.
Não vim aqui para falar de mim ou das minhas mudanças. Apenas para mostrar o e-mail que recebi de Hilcar, e o quanto ela foi carinhosa (e sarcástica) ao responder um e-mail com tantas baboseiras que enviei à ela. Mas acredito que de pouco em pouco eu estou descobrindo os "elementos" dos quais ela se referiu. Obrigada, Thereza.

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